CoGnosis
Revista de Educación
e-ISNN 2588 0578 Vol. XI, Núm. 3: julio-septiembre, año 2026
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Comparação da perceção de treinadores e atletas sobre a
metodologia de ensino-treino no voleibol
Comparision of coachs' and athletes' perception of teaching-
training methodology in volleyball
Comparación de la percepción de entrenadores y atletas sobre
la metodología de enseñanza-entrenamiento en el voleibol
AUTORES:
João Xavier Muando Nhaguilunguana
Departamento de Treino Desportivo. Escola Superior de Ciências do Desporto.
Universidade Eduardo Mondlane. Moçambique.
joaoxaviermuando@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-4383-4449
Rolando Castro Marcelo
Departamento de Desporto Adaptado e Saúde. Escola Superior de Ciências do
Desporto. Universidade Eduardo Mondlane. Moçambique.
rolandocastromarcelo@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0884-4369
Samson Carlos Psungo
Departamento de Treino Desportivo. Escola Superior de Ciências do Desporto.
Universidade Eduardo Mondlane. Moçambique.
samsonpsungo3@icloud
https://orcid.org/0009-0005-0155-1714
Fecha de recepción: 2026-03-19
Fecha de aceptación: 2026-05-26
Fecha de publicación: 2026-07-06
DOI: https://doi.org/10.33936/cognosis.v11i3.8648
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RESUMO
O presente estudo teve como objetivo comparar a perceção de treinadores e atletas sobre
a metodologia de ensino-treino no voleibol, analisando cinco dimensões pedagógicas:
planificação e clareza das instruções, estratégias e métodos de treino, comunicação e
feedback, motivação e envolvimento, e avaliação e reflexão. Trata-se de um estudo
descritivo de abordagem quantitativa, realizado com uma amostra de 16 participantes (2
treinadores e 14 atletas) de um clube de voleibol da cidade de Maputo, selecionados por
conveniência. Os dados foram recolhidos através de questionários estruturados em escala
de Likert de cinco pontos e analisados com recurso à estatística descritiva e à magnitude
das diferenças segundo os critérios de Hopkins. Os resultados evidenciaram uma
tendência geral de convergência entre treinadores e atletas, embora os treinadores tenham
apresentado perceções sistematicamente mais elevadas em todas as dimensões
analisadas. As maiores diferenças observaram-se nas dimensões comunicação e feedback
e avaliação e reflexão, enquanto a menor discrepância foi registada nas estratégias e
métodos de treino. Conclui-se que, apesar de existir alguma consistência na perceção da
metodologia de treino, persistem divergências entre a intenção pedagógica dos treinadores
e a experiência vivida pelos atletas, o que reforça a necessidade de práticas mais centradas
no atleta, com maior comunicação bidirecional e reflexão sistemática no processo de
ensino-treino.
PALAVRAS-CHAVE: voleibol; ensino-treino; perceção; treinador; atleta.
ABSTRACT
The present study aimed to compare coaches’ and athletes’ perceptions of the training and
teaching methodology in volleyball, focusing on five pedagogical dimensions: planning and
clarity of instructions, training strategies and methods, communication and feedback,
motivation and engagement, and evaluation and reflection. This is a descriptive
quantitative study conducted with a convenience sample of 16 participants (2 coaches and
14 athletes) from a volleyball club in the city of Maputo. Data were collected using
structured questionnaires based on a five-point Likert scale and analysed using descriptive
statistics and magnitude-based inferences according to Hopkins. The results revealed an
overall tendency towards convergence between coaches and athletes, although coaches
consistently reported higher perceptions across all analysed dimensions. The greatest
differences were observed in communication and feedback, as well as evaluation and
reflection, while the smallest discrepancy was found in training strategies and methods. It
is concluded that, despite a general alignment in perceptions of the training methodology,
divergences persist between coaches’ pedagogical intentions and athletes’ lived
experiences, highlighting the need for more athlete-centred practices, stronger
bidirectional communication, and systematic reflection within the training process.
KEYWORDS: volleyball; training process; perception; coach; athlete.
RESUMEN
El presente estudio tuvo como objetivo comparar la percepción de entrenadores y atletas
sobre la metodología de enseñanza-entrenamiento en voleibol, analizando cinco
dimensiones pedagógicas: planificación y claridad de las instrucciones, estrategias y
métodos de entrenamiento, comunicación y retroalimentación, motivación y participación,
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voleibol
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y evaluación y reflexión. Se trata de un estudio descriptivo con enfoque cuantitativo,
realizado con una muestra de 16 participantes (2 entrenadores y 14 atletas) de un club de
voleibol de la ciudad de Maputo, seleccionados por conveniencia. Los datos se recopilaron
mediante cuestionarios estructurados en una escala Likert de cinco puntos y se analizaron
utilizando estadística descriptiva y la magnitud de las diferencias según los criterios de
Hopkins. Los resultados evidenciaron una tendencia general de convergencia entre
entrenadores y atletas, aunque los entrenadores mostraron percepciones
sistemáticamente más altas en todas las dimensiones analizadas. Las mayores diferencias
se observaron en las dimensiones de comunicación y retroalimentación y evaluación y
reflexión, mientras que la menor discrepancia se registró en las estrategias y métodos de
entrenamiento. Se concluye que, a pesar de existir cierta consistencia en la percepción de
la metodología de entrenamiento, persisten divergencias entre la intención pedagógica de
los entrenadores y la experiencia vivida por los atletas, lo que refuerza la necesidad de
prácticas más centradas en el atleta, con mayor comunicación bidireccional y reflexión
sistemática en el proceso de enseñanza-entrenamiento.
PALABRAS CLAVE: voleibol; enseñanza-entrenamiento; percepción; entrenador; atleta.
1. INTRODUÇÃO
A conceptualização contemporânea do treino desportivo transcende a mera
dimensão biológica do rendimento, afirmando-se como um processo pedagógico
complexo e intencional. Sob esta ótica, o treinador assume o papel de educador,
sendo a sua eficácia determinada pela capacidade de mediar a aprendizagem e o
desenvolvimento holístico do atleta num ambiente de interação social. Como
sustentam Jones (2006) e colaboradores, o cerne do coaching reside na interface
entre o ensino e a aprendizagem, onde o conhecimento não é meramente
transmitido, mas construído através de uma prática socialmente situada. Esta
visão pedagógica, reforçada por autores como Cushion (2010), sublinha que o
processo de treino deve ser uma prática crítica, evitando a reprodução acrítica de
tradições tecnicistas que frequentemente ignoram a subjetividade dos
intervenientes.
No âmbito dos jogos desportivos colectivos (JDC), a complexidade do processo de
ensino-treino é amplificada pela natureza sistémica destas modalidades,
entendidas como microssistemas sociais regidos por uma lógica interna própria. A
abordagem tradicional, fundamentada no paradigma racionalista, privilegia a
fragmentação da técnica em detrimento da compreensão do jogo, o que, segundo
Graça e Mesquita (2015), compromete a capacidade adaptativa e a tomada de
decisão do atleta. Em oposição, modelos contemporâneos e centrados no jogo
propõem que a técnica e a tática formem uma unidade indissociável, onde o
"aprender a jogar" ocorre através da resolução de situações-problema. Esta
perspetiva é corroborada pela Pedagogia do Jogo de Scaglia (2017), que enfatiza o
jogo como uma unidade complexa definida pelo seu contexto.
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No contexto específico do voleibol, esta dicotomia metodológica é particularmente
relevante devido à elevada exigência técnica da modalidade, que frequentemente
conduz a processos de treino centrados na automatização mecânica do gesto.
Contudo, evidências recentes apresentadas por Caldeira et al. (2023) sugerem que
a variabilidade funcional do movimento, estimulada por abordagens como a
Pedagogia Não-Linear, facilita a adaptação tática perante constrangimentos
variáveis. A planificação cuidadosa e a clareza das instruções, conforme
preconizado por Bento (1987), tornam-se variáveis críticas para assegurar que os
atletas compreendam os "porquês" das suas acções. A aplicação de modelos como
o Constraints-Led Approach permite que a técnica emerja da interação constante
do praticante com o meio.
A qualidade deste processo pedagógico está intrinsecamente ligada ao papel da
comunicação e do feedback, bem como à gestão do clima motivacional. A
comunicação eficaz entre treinador e atleta é, segundo Jowett (2019), o combustível
para relações de qualidade e para a satisfação do desportista, permitindo a redução
de ambiguidades de papel. Paralelamente, a promoção de um clima de mestria
em consonância com a Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000) revela-
se fundamental para fomentar a motivação intrínseca e o envolvimento do atleta.
A avaliação e a reflexão constantes sobre estas práticas são mecanismos essenciais
para que o treino se assuma como uma prática profissional deliberada e consciente.
Neste prisma, a importância da perceção de treinadores e atletas emerge como um
indicador vital da eficácia do processo de treino. De acordo com os modelos de
Riemer e Chelladurai (1998) sobre a satisfação do atleta, a convergência entre o
que é vivenciado e os padrões de exigência determina a qualidade da experiência
desportiva. Contudo, a literatura indica frequentemente discrepâncias
significativas: enquanto treinadores tendem a valorizar métodos reprodutivos, os
atletas muitas vezes expressam preferência por métodos produtivos e centrados na
sua autonomia. Esta dissonância perceptiva pode comprometer o alinhamento de
objectivos e a eficácia pedagógica da intervenção.
Apesar do vasto corpo teórico em Pedagogia do Desporto, subsistem lacunas
críticas na literatura, nomeadamente a escassez de estudos comparativos que
analisem a intersecção das perceções de treinadores e atletas no voleibol. Acresce
a este facto uma notória carência de investigações realizadas em contextos
africanos e comunitários, onde as particularidades culturais influenciam as
dinâmicas pedagógicas. A compreensão destas realidades é imperativa para o
desenvolvimento de modelos de preparação a longo prazo que sejam
cientificamente validados. É neste cenário de necessidade de fundamentação
contextual que a presente investigação se posiciona.
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Face ao exposto, o presente estudo surge da necessidade de aprofundar o
conhecimento sobre as dinâmicas metodológicas que sustentam o treino do
voleibol, procurando identificar pontos de convergência entre os protagonistas.
Desta forma, o objetivo deste artigo consiste em comparar a perceção de
treinadores e atletas sobre a metodologia de ensino-treino adotada, analisando
variáveis como: a planificação e clareza das instruções; estratégias e métodos do
treino; comunicação e feedback, motivação e envolvimento; e os processos de
avaliação e reflexão.
2. MÉTODOS
Tipo de estudo
O presente estudo caracteriza-se como uma investigação descritiva, de abordagem
quantitativa, centrada na análise comparativa da perceção de treinadores e atletas
sobre a metodologia de ensino-treino no voleibol.
Participantes
Participaram no estudo dois treinadores e catorze atletas pertencentes a uma
equipa de voleibol de um clube localizado na cidade de Maputo. A amostra foi
selecionada por conveniência, considerando a participação regular nos treinos e a
disponibilidade para responder aos instrumentos de recolha de dados.
Instrumentos
Foram utilizados dois questionários estruturados: um destinado aos treinadores e
outro às atletas, organizados em escala de Likert de cinco pontos. Os instrumentos
avaliaram cinco dimensões da metodologia de ensino-treino: (i) planificação e
clareza das instruções, (ii) estratégias e métodos de treino, (iii) comunicação e
feedback, (iv) motivação e envolvimento e (v) avaliação e reflexão.
A utilização de questionários estruturados fundamenta-se na necessidade de
compreender a perceção dos intervenientes acerca da qualidade pedagógica do
processo de ensino-treino. A literatura na área da pedagogia do desporto e do
coaching tem destacado que dimensões como comunicação, feedback, motivação,
clareza das instruções e estratégias metodológicas influenciam directamente a
aprendizagem, o envolvimento e a experiência desportiva dos atletas (Jones, 2006;
Cushion, Armour e Jones, 2003; Mesquita, 2013).
Neste sentido, a avaliação da perceção de treinadores e atletas constitui uma
abordagem relevante para analisar a congruência entre a intenção pedagógica do
treinador e a experiência vivenciada pelos atletas durante o treino (Jowett e
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Ntoumanis, 2004; Riemer e Chelladurai, 1998). Estudos recentes têm igualmente
utilizado instrumentos baseados em escalas de perceção para investigar a
qualidade do processo de ensino-treino em modalidades colectivas e contextos de
formação desportiva (Mesquita, Ramos e Coutinho, 2013).
Assim, os questionários utilizados neste estudo permitiram analisar diferentes
dimensões pedagógicas do treino de forma sistemática e comparativa entre
treinadores e atletas.
Procedimentos
Os questionários foram aplicados individualmente aos treinadores e de forma
anónima às atletas, garantindo confidencialidade e participação voluntária. A
recolha de dados foi realizada em contexto de treino, sem interferência externa.
Tratamento estatístico dos dados
A análise dos dados foi realizada em três etapas. Inicialmente, foi aplicada
estatística descritiva básica, através do cálculo de médias e desvios padrão, com o
objectivo de caracterizar as variáveis em estudo.
Posteriormente, procedeu-se à determinação da perceção dos dois grupos
(treinadores e atletas) relativamente às dimensões da metodologia de ensino-treino,
com base nos valores médios obtidos.
Adicionalmente, para complementar a análise dos dados, foi utilizada a
interpretação da magnitude das diferenças com base nos critérios propostos por
Hopkins (2002), permitindo classificar as diferenças entre os grupos como: Trivial
(<0,20), Pequena (0,20 - 0,59), Moderada (0,60 0,19), Grande (1,20 1,99) e Muito
Grande (≥2,0). Esta abordagem foi adotada considerando o reduzido tamanho da
amostra e a necessidade de uma interpretação mais robusta dos resultados.
3. RESULDADOS
A amostra do estudo foi constituída por 16 participantes, sendo 14 atletas e 2
treinadores. A média de idade dos participantes foi de 24,47 ± 9,63 anos, enquanto
o tempo médio de experiência na modalidade foi de 2,50 ± 1,41 anos. Relativamente
às características antropométricas, observou-se peso médio de 67,74 ± 7,20 kg e
altura média de 1,69 ± 0,08 m. De modo geral, os dados caracterizam um grupo
com experiência competitiva relativamente recente, mas com diversidade etária
significativa.
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A Tabela 1 apresenta os resultados da comparação entre a perceção dos treinadores
e das atletas relativamente às diferentes dimensões da metodologia de ensino-
treino no voleibol.
De forma geral, verificou-se que os treinadores apresentaram médias superiores
em todas as dimensões avaliadas quando comparados às atletas. A média global
da perceção dos treinadores foi de 4,26 ± 0,48, enquanto as atletas apresentaram
média de 3,82 ± 0,71, resultando numa diferença de magnitude pequena (Δ = 0,44),
segundo os critérios de Hopkins (2002).
Tabela 1: resultados da comparação da perceção de treinadores e atletas sobre a
metodologia de ensino-treino
Tipo de Participante
Atletas
Treinadores
Δ
Magnitude
Média
DP
Média
DP
Planificação e clareza
das instruções
4,25
14
0,523
4,63
2
0,177
0,38
Pequena
Estratégias e métodos
do treino
3,94
14
0,618
4,13
2
0,177
0,19
Trivial
Comunicação e
feedback
3,6
14
0,699
4,1
2
0,707
0,50
Pequena
Motivação e
envolvimento
3,44
14
0,822
3,83
2
0,236
0,39
Pequena
Avaliação e reflexão
3,87
14
0,607
4,38
2
0,884
0,51
Pequena
Média
3,82
14
0,709
4,26
2
0,481
0,44
Pequena
Na dimensão planificação e clareza das instruções, as atletas apresentaram média
de 4,25 ± 0,52, enquanto os treinadores obtiveram média de 4,63 ± 0,17,
verificando-se uma diferença de magnitude pequena (Δ = 0,38). Estes resultados
sugerem relativa concordância entre os grupos quanto à organização e clareza do
processo de treino.
Relativamente às estratégias e todos de treino, observou-se a menor diferença
entre os grupos. As atletas registaram média de 3,94 ± 0,62 e os treinadores 4,13
± 0,17, correspondendo a uma diferença trivial (Δ = 0,19). Este resultado evidencia
uma perceção semelhante entre treinadores e atletas acerca das estratégias
metodológicas utilizadas durante o treino.
Na dimensão comunicação e feedback, verificou-se média de 3,60 ± 0,70 para as
atletas e 4,10 ± 0,71 para os treinadores, correspondendo a uma diferença pequena
(Δ = 0,50). Embora ambos os grupos tenham apresentado avaliações positivas, os
resultados indicam que os treinadores percebem a qualidade da comunicação de
forma mais favorável do que as atletas.
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Quanto à dimensão motivação e envolvimento, as atletas apresentaram média de
3,44 ± 0,82, enquanto os treinadores registaram média de 3,83 ± 0,24, verificando-
se uma diferença pequena (Δ = 0,39). Esta foi a dimensão com menor média
atribuída pelas atletas, sugerindo possíveis limitações na perceção do clima
motivacional durante o treino.
Na dimensão avaliação e reflexão, observou-se média de 3,87 ± 0,61 para as atletas
e 4,38 ± 0,88 para os treinadores, correspondendo a uma diferença pequena (Δ =
0,51). Os resultados indicam que os treinadores avaliam mais positivamente os
processos de avaliação e reflexão quando comparados às atletas.
De forma geral, os resultados evidenciam relativa convergência entre os grupos
relativamente à metodologia de ensino-treino, embora os treinadores apresentem
uma autoavaliação sistematicamente mais elevada em todas as dimensões
analisadas.
4. DISCUSSÃO
Os resultados obtidos neste estudo permitem analisar a relação entre a intenção
pedagógica dos treinadores e a perceção experienciada pelos atletas no contexto do
voleibol, evidenciando uma tendência geral de convergência entre os dois grupos,
embora com diferenças sistemáticas na valorização das dimensões avaliadas.
De forma global, os treinadores apresentam perceções mais elevadas em todas as
dimensões da metodologia de ensino-treino, resultado que pode ser interpretado à
luz do modelo de satisfação e congruência proposto por Riemer e Chelladurai
(1998). Segundo estes autores, a qualidade da experiência desportiva depende do
grau de alinhamento entre comportamentos prescritos, efetivos e preferências dos
atletas. Neste caso, a discrepância observada sugere uma possível sobrestimação,
por parte dos treinadores, da eficácia das suas próprias práticas pedagógicas.
Na dimensão planificação e clareza das instruções, a diferença reduzida entre
grupos indica uma relativa concordância sobre a organização do treino. Este
resultado pode ser interpretado como sinal de alguma consistência metodológica
no processo de ensino, em consonância com a importância atribuída por Bento
(1987) à clareza e intencionalidade da planificação. Ainda assim, a perceção
ligeiramente mais elevada dos treinadores pode refletir uma visão mais otimista da
eficácia comunicativa das suas instruções.
Relativamente às estratégias e métodos de treino, a diferença trivial observada
sugere alinhamento entre treinadores e atletas quanto às abordagens utilizadas.
Este resultado pode ser enquadrado nas discussões de Graça e Mesquita (2015) e
Scaglia (2017), que defendem a integração da técnica e da tática através de
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metodologias centradas no jogo. A convergência encontrada pode indicar uma
transição parcial para modelos mais ecológicos de ensino, ainda que coexistam
práticas tradicionais.
Na dimensão comunicação e feedback, os resultados evidenciam uma discrepância
mais evidente, com os treinadores a avaliarem mais positivamente esta dimensão.
Este padrão é consistente com a literatura de Jowett (2019), que destaca a
comunicação como elemento central na qualidade da relação treinador-atleta. A
diferença observada pode indicar uma assimetria na perceção da eficácia
comunicativa, sugerindo possíveis limitações na bidirecionalidade do feedback e
na clareza da mensagem pedagógica.
Quanto à motivação e envolvimento, os valores mais baixos atribuídos pelos atletas
sugerem fragilidades na criação de um clima motivacional consistente. À luz da
Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000), este resultado pode indicar
uma satisfação parcial das necessidades psicológicas básicas, nomeadamente
autonomia e envolvimento. A perceção mais positiva dos treinadores pode refletir
uma divergência entre intenção motivacional e experiência subjetiva dos atletas.
Na dimensão avaliação e reflexão, novamente se observa uma tendência de
sobrevalorização por parte dos treinadores. Este resultado é particularmente
relevante, uma vez que a literatura contemporânea em pedagogia do desporto
enfatiza a reflexão como elemento estruturante do desenvolvimento profissional do
treinador. No entanto, a discrepância sugere que os processos de avaliação podem
não estar a ser plenamente percecionados ou interiorizados pelos atletas, o que
limita o seu impacto pedagógico.
No geral, os resultados indicam uma convergência moderada entre treinadores e
atletas, mas também uma tendência consistente de autoavaliação mais positiva
por parte dos treinadores. Este padrão é coerente com a literatura de coaching que
aponta para a existência de lacunas entre intenção pedagógica e experiência vivida,
frequentemente associadas à persistência de modelos de ensino híbridos e à
dificuldade de implementação plena de abordagens centradas no atleta (Jones,
2006; Cushion, 2010; Chow et al., 2022).
Assim, os resultados reforçam a ideia de que o processo de treino deve ser
entendido como uma prática pedagógica relacional e dinâmica, na qual a eficácia
não depende apenas da estrutura do treino, mas sobretudo da forma como este é
interpretado e vivido pelos seus intervenientes.
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5. CONCLUSÕES
Os treinadores tendem a avaliar de forma mais positiva a qualidade do processo de
ensino-treino em todas as dimensões, enquanto os atletas apresentam perceções
mais moderadas, especialmente nas áreas de motivação, comunicação e avaliação.
Esta discrepância sugere a existência de um desalinhamento parcial entre a
intenção pedagógica e a experiência vivida, o que pode influenciar a eficácia global
do processo de formação desportiva.
À luz da literatura analisada, reforça-se a importância de uma abordagem
pedagógica centrada no atleta, baseada em comunicação bidirecional, feedback
contínuo e promoção de um clima motivacional orientado para a mestria.
Adicionalmente, destaca-se a necessidade de fortalecer práticas reflexivas
sistemáticas, que permitam ajustar continuamente o processo de treino às
necessidades reais dos praticantes.
Por fim, este estudo contribui para a compreensão da pedagogia do desporto em
contextos de prática real, evidenciando a relevância de integrar a perceção dos
diferentes intervenientes na avaliação da qualidade do processo de ensino-treino.
Futuras investigações deverão recorrer a amostras mais amplas e metodologias
mistas, de forma a aprofundar a compreensão das dinâmicas pedagógicas no
voleibol, especialmente em contextos africanos onde a evidência empírica ainda é
limitada.
6. DECLARAÇÃO DE CONFLITOS DE INTERESSES
Os autores declaram que não existem conflitos de interesses em relação a
este artigo. Não receberam financiamento nem apoio de nenhuma
organização ou entidade que pudesse influenciar o conteúdo do trabalho.
7. CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Autor 1
Conceptualização, Curadoria de dados, Análise formal, Obtenção de
financiamento, Investigação, Metodologia, Administração do projeto,
Recursos, Software, Visualização, Redação rascunho original e
Redação revisão e edição.
Autor 2
Análise formal, Investigação, Metodologia, Recursos, Supervisão e
Validação.
Autor 3
Conceptualização, Curadoria de dados, Obtenção de financiamento e
Recursos.
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